Na semana passada eu tive a oportunidade de ler o relatório de estágio escrito pela minha namorada em maio de 2006, quando ela ainda era estudante de administração na Universidade Federal aqui em Recife.
Eu sou um namorado completamente apaixonado pelas idéias da minha garota. A gente compartilha as mesmas opiniões quando o assunto é TRABALHO.
Em 2006, ela passou no concurso e estagiou no Tribunal de Justiça aqui de Pernambuco. Quatro meses foi tempo suficiente pra ela conhecer um pouco da “dinâmica” do funcionalismo público no Fórum em Recife e pedir pra cair fora. O relatório da lôrinha é um verdadeiro manifesto da filosofia do blog.
Confira:
“O processo de aprendizagem é algo contínuo, e é preciso uma dinâmica entre teoria e prática. Nos dias atuais, as organizações – sejam públicas ou privadas – necessitam de profissionais capacitados e com relativa experiência de mercado. Foi com este intuito: vontade de aprender e de unir a vida acadêmica com a atividade prática relacionada que participei do concurso do TJPE.
(…)
Em sendo encaminhada para o Fórum do Recife, percebi no primeiro contato que não havia um compromisso quanto aos horários de chegada ao trabalho, tanto das secretárias quanto do administrador e dos assistentes técnicos. Cheguei pontualmente às 8h da manhã, no entanto, a primeira pessoa a chegar – a secretária – chegou às 9:30h. E assim seguiram-se as demais. Isto não foi um fato isolado, tornou a se repetir durante os dois meses em que permaneci no estágio.
No meu dia-a-dia, esperei por orientação e ilustrações práticas, mas não as obtive. Muito pelo contrário. Inicialmente, percebendo o tempo perdido, fui chamada por um assistente técnico, o qual me encaminhou em algumas atividades da área. A surpresa pela velocidade da execução destas mesmas atividades assustou as secretárias, que constantemente me diziam para ser mais lenta, inclusive, que “se fossem eu, ficariam uma semana para fazer o trabalho e não tentariam ser tão rápidas. Só assim eu ficaria folgada”(sic). Tempos depois o assistente técnico foi exonerado.
Na chegada de um segundo assessor técnico, fui chamada para realizar projetos básicos. Tendo este assessor encontrado outro emprego, fui chamada, a portas fechadas, para uma conversa. Lá, fui informada que o mesmo não continuaria em sua função, mas que eu (a estagiária) faria as funções da competência dele. Ou seja, “eu seria a administradora do prédio e que ele, o assessor, compareceria nos horários de almoço para canetar os documentos por mim elaborados”.
Dias se passaram e nada me aparecia, quer dizer, passei tacitamente a ser a secretária da secretária. Ou melhor, atendia os telefonemas e informava-a sobre a pessoa que a procurara. Espantoso demais. Percebendo estas situações, fui me acomodando e passei a usar o tempo no estágio para estudar. Este foi o grande aprendizado que tive no meu estágio, no Tribunal de Justiça de Pernambuco: as pessoas por lá são acomodadas, não apresentam competência técnica para seus cargos e há pouco trabalho para muita gente. E mais, percebi que posso aprender realmente em outro ambiente, pois este emburrece.
Também é verdade que me relacionei bem com as pessoas, ri e me diverti em alguns momentos, ajudei e fui ajudada. Conversas boas foram travadas, mas nada que justifique a permanência no ambiente.
Vislumbrar um estágio com carga horária fácil e com uma bolsa motivante, foi algo que me fez permanecer por mais um tempo neste. Contudo, se critico aqueles que lá trabalharam por sua acomodação, não pretendo fazer o mesmo. Muitos são prestadores de serviços (terceirizados), mas há aqueles que são funcionários do Tribunal, logo, recebem dinheiro pelos pagamentos oriundos da sociedade. Eu fui uma destes. Acho injusto diante desta situação e, por isso, peço distrato do estágio.
É com frustração que saio e com tristeza pelos caminhos traçados hoje no funcionalismo público”.
A lôrinha pediu demissão.
E foi trabalhar.
E EU AGORA TE PERGUNTO…
No Brasil dos funcionários públicos ociosos e bem remunerados e dos donos de cursinhos que enchem os bolsos, o presidente Lula acaba de divulgar a pretensão de contratar em 2008, mais de quarenta mil novos funcionários só pro Executivo.
Você aguenta isso? Você topa pagar o salário deles?
Eu acredito num Brasil com mais estímulo ao empreendedorismo, com mais estímulo à vontade de estudar mais e com menos funcionários públicos.
Num presidente CEO com a responsabilidade de criar riquezas e não de usurpá-la sob a forma de pouco trabalho e salários legais.
Eu acredito na propriedade privada onde quem é ruim e faz corpo mole cai fora.
A minha opinião é que quem tiver afim de ganhar salário dos impostos que a gente paga devolvendo pouco a sociedade tinha que ser exportado pro Iraque.
Eu sou doido pra ver um Brasil com funcionários públicos doidos pra cair fora do tédio do departamento…
… e loucos pra arrebentar a boca do balão em uma empresa privada.
Peça Demissão e vá trabalhar!