A sua faculdade… fez diferença na sua vida?

Abril 30, 2008

Essa pergunta eu vi no blog do Ricardo Jordão Magalhães e resolvi botar a discussão também aqui no PDVT. Pra mim, a faculdade fez grande diferença em alguns aspectos: tive a oportunidade de conhecer uns três professores que fizeram toda a diferença na minha vida; A biblioteca continua me ajudando até hoje e os meus melhores amigos eu conheci lá na UFPE. Eu defendo a seguinte equação e o resto pra mim é chulé:

O MELHOR DA FACULDADE = networking + livros.

Abaixo algumas respostas e comentário interessantes dos leitores do blog do Jordão: 

As respostas:

“Não faz não! A faculdade que fiz nas empresas que trabalhei é que fazem a diferença”. (Mallu)

“Claro que faz! Toda base teórica que possuo hoje e que é imprescindível na minha profissão, aprendi na faculdade!” (Monica Fuchshuber)

“Posso dizer que somente 10% do que utilizo no meu dia a dia foi aprendido na faculdade, e refere-se mais à cultura do que à prática profissional”. (Eliane Fortes)

“O problema é que se você não tiver TBC (tempo de bunda na cadeira) não é ouvido. As pessoas só escutarão o que dizes, se tiveres passado por um babson college institute tabajara (por mais que tenha sido só um curso de verão), e feito os 200 semestres do London Institute tabajara (mesmo que seu inglês seja melhor que o dos mauricinhos). Papel minha Cara, isso interessa. Tens Money e tempo disponível pra ficar anos numa faculdade fazendo todas as extensões possíveis e inimagináveis? Beleza. Não? Tás ferrada. Ah, quando juntares muito papel, podes até chamar os Líderes brasileiros de babacas que ainda aparecerão pessoas para te aplaudir, pagando pra te ouvir dizer isso” (Gabriel Peixoto).

“A faculdade, faz a diferença no seu networking, pois o amplia e muito. Já em matéria de conhecimento, aprendo muito mais lendo textos e livros na internet do que sentado na cadeira da facul ouvindo o prof falar em plena 9h da noite, depois de um dia inteiro de trabalho, e morrendo de sono. Pergunta, para os que já tem diploma alguém já pediu para vê-lo em alguma empresa? ” (Eduardo Alessandro)

Diferença quase nenhuma com exceções das aulas de filosofia, sociologia e antropologia! Demais!” (Marcos Rezende)

“A faculdade me fez ocupar melhor meu tempo. Quando estou na biblioteca ou sala de aula deixo de: estar gastando meu dinheiro com besteiras e assistir a programação da TV. A faculdade faz o aluno ou o aluno faz a faculdade? Ou o professor é um dos responsáveis pelos dois?” (Elton de Oliveira)

“Não fez diferença porque não cursei com o ímpeto de mudar as coisas, como tenho aprendido hoje. Além do mais, muita coisa no ensino mudou de 15 anos pra cá. Independente disso, acho interessante você estudar e adquirir conhecimento que possa aplicar em sua carreira, sua vida, não se preocupando com o título que aquilo irá conferir a você. O que importa é realizar!!” (Douglas de Souza)

“Através da facul, conheci muitas mulheres, bebi muito e por acidente, acabei me formando. Dentro da minha estúpida ignorância, acho que qualquer faculdade é ótima, desde que o infeliz do estudante explore dela o máximo. Além disso, que viva um mundo off-sala, lendo muito, aprendendo e desaprendendo, tropeçando e esfolando a ponta do dedão. Respondendo (finalmente): Fez diferença sim, mas não muito na área profissional; na pessoal fez, sem dúvidas”. (Iztván)

“Pessoal, lógico que a faculdade PODE fazer a diferença, se ela for bem aproveitaa pelo aluno. Rede de contatos, aproveitar os professores que estão dispostos a ajudar, ler os livros recomendados e refletir sobre eles, se interessar em aprender.Dizer que faculdade não serve para nada é uma desculpa de pessoas que, provavelmente, não a apreoveitaram por comodismo, preguiça, falta de interesse.Serve, para quem está mesmo interessado em fazer carreira e não só em ter um título”. (Eduardo Gonçalves)

 


Não perca tempo com a faculdade

Maio 15, 2007

formatura.jpgpor Ricardo Neves, revista ÉPOCA 14 de maio de 2007

 

Você já ouviu falar na Nasdaq. É a bolsa de valores da Nova Economia, que congrega empresas de alta tecnologia, eletrônica, informática, biotecnologia, telecomunicações, etc. A Nasdaq opera paralelamente à tradicional bolsa de Nova York, criada em 1972 em Wall Street. Foi a Nasdaq que tornou viável financeiramente o crescimento de empresas como a Google, Microsoft e a Apple. Ela é o berço de pequenas e médias companhias que estão mudando de forma radical a maneira como vivemos, trabalhamos e nos divertimos. Pois a nação que tem mais empresas na Nasdaq depois dos Estados Unidos não é a Alemanha, nem França, Suécia, Reino Unido ou Japão. O primeiro lugar vai para Israel que tem 77 entre as 328 empresas  não-sediadas nos EUA com papéis negociados na Nasdaq (mais sobre isso no blog).

 

Os indivíduos e a cultura prevalecente em Israel mais que a ação do governo de um país totalmente desprovido de recursos naturais, criaram uma vantagem em relação aos países que já têm um sistema de educação de qualidade: infundir em sua juventude uma perspectiva empreendedora, inovadora e de apetite pelo risco. Isso faz com que um país de pouco mais de 6 milhões de habitantes vá se tornando campeão no registro de patentes e desenvolvimento de produtos inovadores que ajudarão a construir riqueza e o cotidiano da Sociedade Digital Global para a qual nos encaminhamos.

 

Essa realidade israelense pode servir como referência para o que acontece aqui. O sistema educacional brasileiro é de baixa qualidade. Mas o problema não é apenas esse. Existe outro, mais sério no cerne da cultura brasileira. A responsabilidade pela piora do nosso sistema é do governo. Mas foi a sociedade toda que perverteu o objetivo da formação superior no Brasil. A faculdade virou, para a maioria dos jovens que ainda não sabe direito o que quer fazer, um mero portal para a vida adulta.

 

Estamos criando jovens de cabeça antiga, que vão fazer vestibular sem amadurecimento suficiente. Só porque se convencionou que o caminho natural ao final do segundo grau é a faculdade. Ou porque o pai ou mãe vão achar bonito ter um filho doutor. Ou porque se julga que assim é mais fácil descolar um emprego. Estamos adestrando nossos jovens sem mostrar a eles que é preciso assumir riscos para inovar. Com isso eles se tornam conservadores muito cedo na vida.

 

Uma universidade particular do Rio de Janeiro pesquisou a principal motivação dos alunos matriculados em Direito: 88% estão ali para apanhar o diploma como meio para prestar um concurso público. Temos de despertar essa juventude. Os melhores talentos devem ser estimulados a preparar-se para construir um mundo em que os empregos serão substituídos por projetos e empreitadas por tempo determinado. Não podemos continuar programando os jovens para ser procuradores passivos de emprego. Isso é criá-los para um mundo que não existe mais.

 

Por isso, tenho um conselho para você que está nessa encruzilhada da vida chamada vestibular: não perca tempo com a faculdade. A menos que você tenha clareza absoluta de que sua vocação na vida exige qualificação com diploma universitário. Em compensação, prepare-se para estudar e se reciclar ao longo de toda a sua vida, de forma muito mais profunda e séria do que fizeram as gerações anteriores. Não coloque suas esperanças em PACs para a economia ou para a educação, bem como outras pajelanças macroeconômicas ou de política governamental. Não é isso que nos tirará da irrelevância e do atraso.

 

A responsabilidade é nossa. Como indivíduos, e coletivamente como sociedade, devemos encarar o desafio de ajudar a nossa juventude a sair do logro da faculdade para virar doutor e arranjar emprego.