Mais com menos

de-olho-no-brasil.jpg “Engenheiro, advogado, administrador de empresas ou até mesmo policial são profissões fora de moda. A onda do momento é ser técnico previdenciário, auxiliar legislativo, analista judiciário ou escriturário de banco “público”. Os pais que até então sonhavam em ver seus filhos se tornarem cientistas ou jogadores de futebol, agora sonham em vê-los trabalhando em algum Tribunal Regional do Trabalho por aí (…) O trabalho que você vai desempenhar não importa, o que faz realmente valer o sacrifício do concurso são os “direitos” fundamentais como aposentadoria garantida pelo contribuinte, cafezinhos à vontade, sindicatos combativos, greves remuneradas e seguro anti-privatização. Outro aspecto interessante deste tipo de profissão é que quanto mais colegas trabalharem com você, menos você precisará trabalhar, até porque quem irá trabalhar mais mesmo é o contribuinte”. (http://desoptei.wordpress.com)

Há dois meses atrás quando o blog foi criado, ele veio com o propósito de incomodar, de fazer pensar e de despertar quem o lê para a necessidade de se pensar em trabalho e não em emprego se você pretende construir um Brasil maiúsculo.

Eu trabalho pra ver você empolgando e contagiando as pessoas pra que elas pensem na carreira como uma missão pra vida, um propósito que ela deve cumprir nada restrito ao simples aspecto profissional. Eu trabalho pra ver você protestando e reclamando quando te oferecerem um serviço ruim. Eu trabalho pra ver você escolher a hombridade de assinar uma multa de trânsito de 500 à ter que pagar propina pra um guarda que te propõe o “perdão” por 50 pra que ele libere o teu carro.

O Peça Demissão e vá trabalhar!, tem a missão de fazer você entender que é preciso ter compromisso com novas idéias se você pretende ver as coisas melhorarem por aqui. No Brasil que faz vista grossa pra corrupção e não premia o trabalho, no Brasil onde o jovem recém graduado só pensa em emprego, estabilidade e salário em absolutamente qualquer concurso público em que ele consiga passar, eu quero ver você pensar em trabalho, competência, mérito e vontade de arriscar. 

Eu separei alguns trechos da entrevista concedida à revista Época (ed. 14/05) pelo economista Nélson Marconi da FGV e PUC-SP pra você dar uma olhada. O Marconi é o consultor do governo de Minas Gerais responsável pela missão de fazer o Estado funcionar melhor. Ele afirma que com 30% de servidores a menos, o Estado funcionaria do mesmo jeito e contesta a estabilidade extensível a todos os cargos públicos. No país em que faltam médicos nos hospitais e policiais nas ruas, sobra gente nas secretarias das prefeituras e nos orgãos burocráticos. Confira a entrevista com o Marconi:

É correta a impressão de que há excesso de funcionários públicos no país? Marconi – com 20% ou 30% de funcionários a menos, o Estado funcionaria da mesma forma. Com dez anos de experiência no setor público você percebe quem trabalha e quem não trabalha. Mas, para a maior parte do serviço público a regra geral é “tanto faz”. Como não há incentivos, não se progride na carreira por trabalhar mais ou menos. Não há nenhum problema se você preferir cuidar de suas coisas particulares.

O que os governadores tem feito de diferente? Marconi – Estão transformando parte da estrutura administrativa em organizações sociais. Instituições privadas que recebem verba e equipamentos dos governos para desempenhar ações específicas. Os funcionários delas são contratados pela CLT, sem benefícios como a estabilidade do emprego. Nesse modelo não existe a rigidez da administração pública. A união retrocedeu porque o governo Lula optou pela contratação de servidores pelo regime estatutário, que assegura estabilidade e aposentadoria integral ao concursado. Eles não querem flexibilizar o regime de emprego. Eu entendo isso como um retrocesso.

Quem deve ter estabilidade no emprego? Marconi – As carreiras de Estado são a diplomacia, a Polícia, a Justiça, o pessoal que elabora as políticas públicas, o Orçamento… eles exercem o poder de Estado, têm de estar imunes à pressão política. Quem trabalha nas áreas cuja demanda pode aumentar ou diminuir ao longo do tempo, que executa política pública, poderia ter um regime de trabalho mais flexível. Às vezes, você precisa contratar um médico para um hospital ou professor para uma escola. Eles não precisam ter estabilidade. Há projetos com prazo determinado. Por que você tem de contratar alguém para a vida inteira? O Estado precisa ter uma possibilidade maior de formas de contratações.

Os políticos estão preocupados em melhorar o serviço público? Marconi – Os governadores estão. Pelo pouco que conheço do conselho dos secretários estaduais de Administração, eles buscam isso independentemente do partido político. Eles vêem que não tem jeito. A máquina precisa ser mais ágil.

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