E o amor matou o casamento

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por Ricardo Jordão Magalhães e foto de Helena Milheiro

Até alguns anos, meados do século vinte, casar por amor era uma idéia radical. Uma questão de demissão por justa causa.

Historicamente, o casamento nunca foi sobre amor. Desde os tempos dos faraós – ou bíblicos se preferir – a instituição do casamento é uma invenção do homem para selar acordos, garantir a segurança das coisas e aumentar os negócios. Nem a idéia do casamento entre um homem e uma mulher é algo tão antigo assim. Se necessário fosse, o homem casava duas, três, vinte vezes, no oriente ou quase ocidente, com mulher, homem ou elefante, para assegurar a expansão dos negócios.

Somente no século passado, o Amor passou a frequentar histórias com finais felizes. Antes disso amar outra pessoa sempre foi uma tragédia grega, um drama shakesperiano, uma filosofia platônica.

“Eu vou casar com a Bruna Surfistinha. Eu a amo!”, dizia o cidadão normal. “Você está maluco?! Nunca!” diziam os conservadores do Mundo, vide bispos, papas, cavalos, reis, rainhas, torres e toda a trupe estatal defensora de regras e status quo da sua época.

“Casar por amor é uma infâmia, uma insolência, um pecado! Pelo bem do céu e da terra, você precisa casar com a Dona Dita Cuja XYZ. Se depois do casamento você quiser pular a cerca, e surfar com a Bruna, não tem problemas, mas antes disso nós precisamos expandir os nossos negócios, e a fazenda do pai dela que fica bem ao lado da nossa.”

Conservador pela tradição, famoso pelo grito do Ipiranga (e só), D.Pedro I – o primeiro mauricinho brasileiro – casou em 1818 com a importada D.Leopoldina, filha do imperador da Áustria, despachada para o Brasil para assegurar que a “globalização da holding” brasileira de exportação de bananas, preguiçosos e pau-brasil fosse bem sucedida no lado austríaco do pré-primeiro mundo.

Dando continuidade ao “poderoso e bem sucedido” reinado de seu papai, D.Pedro II – o almofadinha – selou o matrimônio com Teresa Cristina, filha da turma da Espanha e parte da Itália e assegurou mais 49 anos de reinado conservador aristocrático regrado e recheado de realizações tão “numerosas” e “inovadoras”, que bastam 2 linhas na Wikipédia para acomodá-las. 49 anos, duas linhas.

E então surgiu o Amor. E então um, dois, dez, vinte, trinta caras decidiram fazer tudo por Amor. Trabalhar por Amor. Namorar por Amor. Brigar por Amor. Produzir por amor. Viver e morrer por Amor.

Dane-se as regras! Dane-se as convenções! Dane-se a papelada! Que seja eterno enquanto dure, que seja finito enquanto for.

O amor, como a internet e o telefone celular, parecem para as novas gerações, uma tecnologia e um princípio de vida que sempre existiram, um Direito de nascer que faz parte do pacote das coisas, mas a verdade não é essa, pelo contrário, o Amor é algo novo que após séculos de conscientização do ser humano, começa agora a aparecer mais e mais e mais. É ainda uma idéia radical, simples, mas como a água potável e os remédios contra a gripe, ainda inacessível para todos.

A sua conservação, ou melhor, distribuição requer uma idéia ainda mais radical da sua parte: seja apaixonado por ideais, acredite em você e na sua intuição, alimente o seu senso de indignação, seja um coletor de otimismo, um distribuidor de entusiasmo, concentre-se em criatividade, livre-se de tudo isso, comece de novo.

Eu adoro a missão da Dell quando eles dizem: “o nosso sucesso é baseado nos mais altos padrões éticos do mundo, algo que vai além do mundo legal. Nunca pediremos a ninguém que corrompa esses valores. Sucesso sem valores não significa nada”. Quer dizer, nós não precisamos dos advogados e burocratas para dizer o que nós temos que fazer. 

O contrato não significa nada, nem segurança, nem descrição de cargo, muito menos sucesso. Você não precisa mostrar o contrato para conseguir o que você tem direito, eu conheço as minhas responsabilidades.

É claro, nada é perfeito na Dell. O papel aceita tudo, a realidade é outra. Com certeza ainda existem algumas cabecinhas que sabem dizer de cor e salteado o valor da ação na bolsa de valores, mas não sabem dizer quais são os valores que devem entrar em ação. Ainda assim, escreva mesmo que ninguém esteja lendo, cante mesmo que ninguém esteja escutando, trabalhe mesmo que todos estejam passeando, questione mesmo que todos estejam certos.

No fim, você precisa ser otimista, acreditar que somos todos seres do bem, uma raça em evolução, que precisa de movimentos radicais para compensar a frieza, a timidez e o cinismo dos conservadores.

E ainda que eu seja corinthiano, dá gosto ver o Muricy, técnico do São Paulo, falar sobre como o futebol com paixão, foco e profissionalismo levou a equipe são paulina ao tetracampeonato brasileiro de futebol.

O propósito em suas palavras me faz lembrar dos meus tempos de criança, quando eu e os meus amigos jogávamos futebol, vôlei, etc por amor. Você sabe como se joga futebol por amor? O jogo vai até 10. Quem fizer dez gols primeiro ganha.

Não tem empate! Não tem burocracia. Todos os jogos terminam com um VENCEDOR. Todos os jogos terminam com VIBRAÇÃO e ENTUSIASMO. Não tem encheção de linguiça. Não tem tapetão. Quando se joga por amor ninguém se esconde. Não existe corpo mole. Todo mundo faz hora extra. Todos querem ganhar, ou você é um VENCEDOR ou você é um perdedor.

O amor não tem papas na língua e não demonstra respeito por burocratas ou advogados, pede por Atitude e exige Personalidade.

Não existe empate!

Quando se joga por Amor o jogo vai a 10.

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA. 



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