Uma baboseira chamada Live Earth

 “Eu só organizaria isso se pudesse entrar no palco e anunciar medidas ambientais concretas de candidatos a presidência dos EUA, do Congresso ou de grandes empresas”  – Bob Geldof, organizador do Live Aid e do Live 8.

 

“Rezo para que este evento acabe com o aquecimento global da mesma forma que o Live Aid em 1985 acabou com a fome mundial”  – Chris Rock, comediante americano.

 

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Você já parou pra pensar em qual é o objetivo de mobilizar astros do rock e do pop internacional pra fazer uma cruzada em prol da conscientização quanto ao aquecimento global quando essa conscientização tem que partir, na verdade, dos governantes dos países industrializados e dos dirigentes das maiores empresas do mundo? 

 

No último dia 7 de julho aconteceu provalmente a maior tolice de 2007 em Londres, Hamburgo, Xangai, Tóquio, Nova York, Johannesburgo, Sidney e Rio de Janeiro – uma baboseira transcontinental chamada Live Earth.

 

O Live Earth foi idealizado pelo ex-vice presidente dos EUA, Al Gore (o “Al” é de Albert), que parece ter identificado um nicho muito interessante capaz de associá-lo a uma causa atual e popular como é a causa do aquecimento global. Pra mim, o cara tem o grande mérito de ser na verdade o merecedor de um novo adjetivo criado especialmente pra ele: o eco-oportunista.

 

O que causa estranheza em um evento deste tipo é a falta real de compromisso com objetivos ligados a causa ambiental. Principalmente quando ele é organizado por um político americano oriundo de um partido compromissado com a não redução da poluição (já que a adoção de políticas deste tipo causam prejuízos à economia americana). O papo POP e a curtição na praia de Copacabana fez muita gente pensar pouco que o projeto é de um oportunismo e de uma demagogia absurda já que vem de um ex-senador que permaneceu em silêncio quando foi anunciado o posicionamento americano de não adesão ao protocolo de Kyoto.   

 

Outros dados interessantes vem da mídia européia que anunciou a indignação do Greenpeace com o fato da Daimler-Benz (produtora mundial de veículos poluentes) ser uma das patrocinadoras, além de questionamentos após o evento sobre o papel dos artistas na preservação do meio ambiente e na redução da emissão de CO2 – a estrutura da estrela Madonna, por exemplo, com suas nove casas, sua frota de carros particulares e seu jatinho emitiu cerca de 100 vezes mais carbono do que a média britânica-. 

 

Por parte dos artistas o melhor exemplo mesmo foi brazuca e  pop de verdade – show de bola oi a lição da baianinha mais querida do Brasil: Ivete Sangalo que se negou a participar do Live Earth em Nova York. Segundo seu assessor de imprensa, ela como uma cantora consciente da questão ambiental se sentiria numa saia justa em fazer um show de eco-conscientização em um país que é o grande e insensível responsável pelo aquecimento global mundial.

  

Panis et circensis e o Capeta celebrando a missa.

 

2792006062716233715algoreg.jpg Se o objetivo era conscientizar, o Live Earth foi um grande ôba ôba do pop-rock. Ingênuo e consumista foi de um oportunismo fenomenal pra celebrar a política do pão e circo globalizado onde espera-se resolver as causas mais sérias do planeta com muita cerveja Budweiser e shows de Lenny Kravitz, Linkin Park e Snoopy Dog.

 

Acreditar que o Al Gore seja o ícone da ecogeração, responsável por tomar consciência da causa do aquecimento global é tão incoerente quanto pensar no capeta organizando a liturgia, rezando a missa e dando a comunhão aos fiéis.

 

Hey you! Acorda dessa baboseira chamada Live Earth!

 

 

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