11/9

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva. Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhatan.” Elegia 1938, Carlos Drummond de Andrade.

Daqui a três dias completam-se sete anos do atentado que destruiu às torres gêmeas do WTC em Nova York.

Eu fico aqui imaginando o que é sair pra trabalhar de manhã, olhar pra cidade onde você mora e ver duas torres grandes, gigantes lá no lugar… depois voltar de meio dia, olhar de novo e não encontrar mais nada. Completamente louca uma coisa dessas, concordam?

Nessa época do ano, a imprensa consegue transformar o atentado do WTC numa verdadeira comoção mundial a ponto de todo mundo se perguntar: “O que foi que eu tava fazendo em 11 de setembro de 2001?”

Eu saí pra cobrar uns clientes inadimplentes do Banco de Microcrédito onde eu trabalhava numa periferia chamada Lagoa Redonda. Cara! Poderia estar começando a terceira guerra mundial naquele dia, mas meu chefe queria porque queria uma carteira ativa de clientes muito mais saudável do que a que eu tava oferecendo pra ele e mesmo dando uma espiada na TV dos botecos pelo meio do caminho, a verdade é que eu tava preocupado mesmo era com o meu trabalho.

A verdade é que eu nunca entendi direito porque o 11 de setembro virou uma comoção mundial. Pra você ter idéia, em qualquer cidadezinha do interior do Brasil era possível encontrar um padre querendo rezar uma “missazinha” em prol das vítimas do atentado do WTC sem sequer saber pronunciar direito a palavra “Nova York”.

Nos ambientes cobertos pela imprensa, como é o caso das grandes catedrais da capital paulista, as celebrações religiosas pomposas ocupavam fartamente os noticiários e eu nunca entendi direito porque ninguém nunca fez um “cultozinho” pelas crianças mortas de fome no Sudão, pelos mutilados na guerra civil em Angola ou qualquer ato em memória das mulheres violentadas na guerra da Bósnia.

Estranho né?

O 11 de setembro fez o século começar cedo, deixou as passagens de avião bem mais caras e a burocracia bem maior nos aeroportos. Mudou as relações internacionais ocidente-oriente, matou três mil inocentes, ferrou o Talibã e de quebra levou o Saddan que foi encontrado no buraco, literalmente depois “ir” pro buraco.

Mas a data não foi (é) só isso.

Essa é também a data típica do brasileiro babaca, colonizado e ingênuo que lembra do 4 de julho e esquece que ontem foi 7 de setembro.

Onde essa coisa toda vai parar ou vai continuar depois das eleições americanas é pro brazuca babaca que fica se lamentando porque o título de eleitor dele não dá direito a escolher entre Barack Obama ou John McCain.

11 de setembro é uma data pra trouxa se você é brasileiro e mora fora do território dos cinquenta estados americanos. Fazer dessa data um mote recordativo é atestado de babaquice colonialista.

Em setembro de 2001, o jornal “The New York Times” anunciou a morte de 2950 pessoas no maior atentado terrorista da história dos Estados Unidos.

Em setembro de 2008, a organização PE BODYCOUNT anunciou que no estado onde eu moro, já morreram 2998 pessoas assassinadas em assaltos em semáforos, brigas de trânsito ou balas perdidas nos diversos bairros da cidade.

Próximo dia 11 eu sei exatamente o que eu tenho que lamentar e fazer pra lutar contra os terroristas que falam português e não árabe. O estrago que eles causam pra mim é bem maior, tá cheio de terrorista aqui.

Lembrar o 11/9 é pra brasileiro otário.

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