Enquanto eles estudam a gente fica jogando bola

Nas últimas semanas o mundo ficou conhecendo os vencedores dos prêmios Nobel da Paz, Literatura, Física, Química, Medicina e Economia. Os mais populares costumam ser os laureados com o prêmio da Paz, Literatura e Economia, geralmente mais acessíveis ao grande público que compra livros e lê jornais e artigos, já que os demais são sempre pesquisadores que não costumam aparecer muito na mídia.

O prêmio começou em 1901 por iniciativa do milionário sueco Alfred Nobel para premiar iniciativas e atitudes em prol da humanidade. Conta a história que Nobel, inventor da dinamite, estava profundamente desgostoso com o uso militar dado à sua invenção e que a herança deixada por ele no valor de 32 milhões de coroas suecas (1895) seria uma compensação pelo mal causado pela utilização militar dos explosivos. O prêmio foi a melhor forma encontrada por ele para recompensar os feitos daqueles que se destacaram ao longo do ano em áreas estratégicas para a humanidade.

Tradicionalmente os premiados vão pra Suécia e lá recebem uma medalha de ouro, um diploma e uns 10 milhões de coroas suecas (com um dólar se compra de sete a oito coroas suecas) como prêmio.

É uma forma interessante de recompensar quem trabalha pra melhorar o planeta e a vida das pessoas, muito embora, em alguns momentos, as escolhas costumem ser políticas o suficiente pra causar um certo “pé atrás” com as decisões da Real Academia da Suécia. Fato conhecido foi o do escritor francês Jean Paul Sartre que em 1964 recusou o prêmio de Literatura.

Uma pergunta muito comum pra quem tá por fora do prêmio Nobel é: E O BRASIL JÁ FOI PREMIADO?

Foi nada. Ainda não.

Todo ano dizem que tem um brasileiro que foi cotado pra isso, pra aquilo mas a gente nunca leva. Nunca, nunca.

Isso me preocupa um bocado e me lembra uma história que aconteceu comigo quando eu estive no Chile em 2006. Eu estava no aniversário de uma amiga chilena e conversava com os amigos dela na sala enquanto observava um grupo de garotos chilenos olharem espantados pra mim e dizerem:

– Pôxa! Deve ser muito bom morar num país que sempre vence no futebol! Cinco Copas do Mundo! Uau! Aqui nos comemoramos uma barbaridade quando conseguimos nos classificar pra um Mundial e vocês na maioria das vezes sempre levam o título!

Aí eu rebati dizendo que eu admirava muito o Chile já que eles tinham 2 prêmios Nobel de Literatura enquanto nós, brasileiros, não tínhamos nenhum. Logicamente fazendo referência aos prêmios de 1945 da escritora Gabriela Mistral e ao de 1971 do poeta Pablo Neruda.

Conversa vai, conversa vem a Carla Vargas, minha amiga chilena que escutava a conversa de longe veio e concluiu:

– É que enquanto eles ficam jogando bola a gente costuma ficar estudando.

E eu calado decidi correr pra mesa e cantar logo o “Cumpleaños feliz” pra aniversariante, pegar minha fatia de bolo e encerrar aquela conversa logo.

Êta Brasil danado!

2 respostas para Enquanto eles estudam a gente fica jogando bola

  1. ana maria disse:

    Isso sem falar do Carnaval… (E agora? O que me diz? Parece piada, não parece?)

    Como pesquisadora eu afirmo: “Falta investimento (e muito)!”

  2. ana maria disse:

    Só para esclarecer, sou Engenheira de Alimentos e estou terminado meu mestrado em Tecnologia de Alimentos! Sofro com a falta de investimento para a pesquisa (um absurdo)!

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