Jack definitivo, o manual do CEO

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“Nunca faça concessões que contrariem sua capacidade de ser você mesmo, nem pelo melhor cargo do mundo”

Terminei de ler o Jack Definitivo, autobiografia do ex-CEO da General Electric ontem. Um grande livro não só no tamanho (+ de 500 páginas) mas também no conteúdo extremamente relevante. Mereceu, inclusive, uma revisão e um breve resumo dos meus pontos preferidos num caderno novo que tenho em casa.

A GE é uma empresa gigantesca com negócios que variam de motores de aviões, canais de TV, cartões de crédito, geladeiras e antigamente até mesmo torradeiras elétricas (na década de 80 a primeira geladeira dos meus pais era uma GE vermelha, horrível). Esse colosso dos negócios foi comandado por Welch de 1980 a 2000.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção no livro é a cultura do mérito implantada por Welch na GE. Será que daria certo numa empresa brasileira criar o procedimento de demitir todos os anos os 10% de pior desempenho sem discussão, sem justificativas só com base no resultado puro e seco? Eu acho que a perspectiva paternalista dos nossos funcionários iria fazer a maioria sofrer um bocado… alguém conhece alguma experiência assim nas empresas brasileiras?

Se funcionou na GE, funcionaria aqui?

O melhor do “manual” é que apesar de Jack ter sido um executivo brilhante o cara faz questão de mostrar no livro que ele é de “carne e osso” e revela  trapalhadas homéricas como a explosão do telhado de uma das fábricas da GE enquanto ele fazia experiências no laboratório no início de sua carreira, ou em outra ocasião em que ele troca uma das cartas-propostas de negócio a serem entregues aos japoneses da Mitsubishi e por pouco não bagunça todo o fechamento do negócio.

Justamente no episódio da explosão da fábrica, vai uma aula de liderança não de Jack, mas do superior dele que nas reflexões do maior executivo do mundo ficaram assim:

“Quando as pessoas cometem erros, a última coisa de que precisam é de ação disciplinar. O momento é de encorajamento e de reforço da autoconfiança. A tarefa é restaurar a auto-estima (…) humilhar alguém em um momento de fraqueza pode empurrar a pessoa para o que chamo de vórtice da GE. É algo que acontece em qualquer lugar. Percebe-se o vórtice quando os líderes perdem a autoconfiança, entram em pânico e se afundam no barco da dúvida em relação a si próprios.”

Jack teve quatro grandes iniciativas nos vinte anos em que comandou a GE: implantou o maior programa de qualidade da história da empresa, o Seis Sigma; Globalizou a empresa tirando os americanos e colocando gente do mundo inteiro para ocupar os cargos de liderança; Entrou no negócio de serviços (se eu fabrico os motores porque também não faço a manutenção deles?) e nos últimos anos entrou no mundo dos negócios via e-business. No auge da sua expansão a GE comprava uma empresa à cada quatro dias!

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Jack é um cara impaciente. Ele gosta de trabalhar muito, de ver resultados rápidos e sem burocracia. Daria um ótimo consultor pra fazer prefeituras e assembléias legislativas funcionarem. Uma das iniciativas mais curiosas de Welch se chama WORK OUT, uma forma rápida de incentivar a que os problemas sejam resolvidos por quem está mais próximo dele – usar a inteligência do trabalhador pra desenvolver soluções sem ensebar o processo com reuniões intermináveis ou com gerentes que não sabem as reais dificuldades da coisa toda (Se você já ouviu falar da Semco e do Semler isso não vai soar estranho).

O melhor da festa, JW deixou pra um dos últimos capítulos do livro quando ele faz um balanço do que é ser o presidente de uma empresa como a GE e manda uma receita de CEO. Confira:

– Seja íntegro, sempre;

– Dê o tom (o seu afinco e sua forma de tratamento serão imitados);

– Maximize o intelecto, colha as melhores idéias e espalhe-as. A GE apesar de conglomerar centenas de empresas e milhares de negócios em seu portfolio procura soluções o tempo todo no Google, na Microsoft e em diversas outras empresas fora do seu núcleo de negócios;

– Crie uma atmosfera informal;

– Comemore! Garanta que a sua equipe se divirta enquanto produz;

– Diferencie: premie os de melhor desempenho e erradique os de pior desempenho;

– Avalie o tempo todo!;

– Faça trabalho de campo, sempre. Sedes não produzem nada, escritórios não revelam o que pensa o seu cliente ou o consumidor do seu produto. Vá pra rua descobrir o que eles pensam, vá pra fábrica ver a coisa acontecer;

– Estratégia, ações e iniciativas devem ser comunicadas continuamente;

– Compreenda onde a empresa agrega mais valor e concentre ali os mais brilhantes;

– Gerencie de perto quando sentir que vai fazer diferença. Gerencie de longe quando não tiver nada a acrescentar;

E o principal pra mim e pra você: Trabalhe duro se você deseja ser o melhor.

Jack Definitivo tá aprovado mas ainda não acabou. Ontem mesmo já comecei a ler o  Executivo do século de Robert Slater – acho que ainda dá pra aprender mais um pouco com o professor Welch!

.

Peça Demissão e vá trabalhar! Só me interessa isso.

 

 

2 respostas para Jack definitivo, o manual do CEO

  1. Calleb disse:

    Olá! Faço Administração de Empresas na UPE, em Salgueiro e gosto muito do seu blog! Ele é muito útil mesmo! Vou passar o endereço do blog para minha turma, e para as outras turmas e indicar para os professores.
    Não deixe de atualizar!
    Um grande abraço.

  2. […] Clique aqui para ler os meus comentários sobre o livro feitos aqui no blog em março. […]

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